Napoleão – Alexandre Dumas, Steven Englund
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Filho de um general de Napoleão Bonaparte, o mestre do romance histórico Alexandre Dumas (1802-1872) escreveu a biografia do célebre imperador francês sem elidir a simpatia e admiração pelo personagem, o qual morreu em péssimas condições, prisioneiro em Santa Helena nas mãos dos ingleses, da "oligarquia inglesa", como gostava de dizer Napoleão. O romancista conta que viu Napoleão apenas duas vezes na vida, sentado no mesmo coche em viagem. O foco narrativo do livro se concentra na descrição das batalhas militares, em que às vezes avulta o elemento pitoresco: a galope em seu cavalo, em meio aos gritos dos soldados e à música, Napoleão "sempre dava ao começo de suas batalhas um ar de festa, em contraste com a frieza dos Exércitos inimigos". O autor romanceia, o que não quer dizer, no entanto, faltar com a verdade de resto, como dizia Goethe, a verossimilhança às vezes é mais importante do que a verdade. Napoleão representou uma façanha européia extraordinária (depois viria Hitler, embora abusando da comparação), uma façanha que teve implicações e desdobramentos no mundo inteiro, inclusive aqui no Brasil quando Junot invadiu Portugal, o que fez com que a corte de dom João 6º aportasse no Rio de Janeiro. O romancista se fixa num detalhe sempre recorrente a respeito do sono, das freqüentes e longas insônias do famoso general, cuja capacidade de comando era excepcional, e o fator decisivo nas vitórias do Exército francês. Dumas não foi o único escritor fascinado por Napoleão. A não ser René Chateaubriand que lhe fez várias restrições, Napoleão despertou admiração em Stendhal, Balzac, Dostoiévski e até mesmo o filósofo Hegel, que o considerou o criador do Estado, espécie de "Deus revelado" aos homens, embora o imperador não tivesse chamado Hegel a Paris em 1806 para tornar-se o filósofo e o sábio do Estado universal. Os filósofos e escritores padecem de inação, ao contrário do que sucedeu com Napoleão, embora fosse um homem dado à leitura. Distanciados da ação, os intelectuais sonham, desde Platão, em dar conselhos e dirigir a atividade dos políticos. Em sua paixão pelo realizador Bonaparte, o romancista Alexandre Dumas não fugiu à regra. Gilberto Felisberto Vasconcellos, Folha de São Paulo, 27/11/2004.
Boa leitura
Abraços.
M. Loureiro
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